Friday, April 3, 2009

Reflexão sobre a obra “Mutilada” de Khady

“A denúncia de uma bárbara realidade perpetuada em nome da tradição.”

 

 

Este livro retrata documentalmente a vida da própria autora e narradora. Uma vida cheia de alegrias na infância, no seio de uma família superprotectora, maioritariamente feminina, mas que ficou marcada para todo o sempre aos 7 anos de idade quando é de repente confrontada com a excisão (purificação). Nada sabia do assunto, ninguém lhe explicou as razões (pois ninguém parece saber o porquê de tal atrocidade, como a autora afirma).

Retrata a sociedade em que os homens nada ou pouco interferem nestes assuntos, são costumes perpetuados por mulheres em mulheres (crianças ou bebés).

Esta prática é-lhes incutida por, supostamente,  aumentar a fertilidade feminina, garantindo-lhe a pureza e a virgindade bem como a fidelidade de uma esposa.Contudo, não passam de dissimulações para o sofrimento que se vive e que em nome da religião se pode manifestar, conforme nos informa a autora na sua luta contra esta prática, já em adulta. Esta prática põe em risco a vida de crianças e bebés que a sofrem, podendo as mesmas morrerem de várias formas, a principal por hemorragias e/ou infecções, pois trata-se de um corte a sangue frio no clitóris. Tudo isto como nos demonstra tão bem a autora do livro, priva-as do prazer sexual, destruindo para sempre a hipótese de serem felizes como mulheres.

Dá-nos a conhecer, ao longo da sua vida, um pouco sobre a sociedade muçulmana africana da sua tribo, sediada no Senegal, etnia soniké, casta de nobres, a que pertence.

Nascida em 1959, relata o percurso da sua feliz e protegida vida e faz-nos crer na sociedade perfeita, mas, aos 7 anos, a sua excisão lembra-nos da barbárie que é esta prática e o sofrimento que este tipo de mutilação inflinge, relatando as formas de cura mais primitivas que existem.

Casou aos 13 anos por imposição da própria família, com um primo que vivia em Paris. Relata-nos a sua vida e os seus sonhos desfeitos aquando da obrigatoriedade de casar com esse primo distante e desconhecido. Fala-nos com grande precisão sobre a sua viagem, a solidão de um percurso longo e de sofrimento ao longo de anos a sofrer continuadas violências domésticas.

  Para o entendermos, é necessário saber um pouco sobre as leis islâmicas do matrimónio em que a vida da Mulher nada vale, o rendimento familiar é masculino e a mulher nada é, nada vale, mesmo os abonos do Estado para os filhos, vão para o marido, por direito. Relata-nos, a autora, que o seu marido, bem como outros que viviam em Paris, na época, apenas queriam os filhos para obterem os referidos subsídios do Estado. Podem os maridos requerer e casar com outras mulheres, perpetuando a poligamia. Sofrimento adicional à primeira esposa e aos filhos desta. Relato muito preciso sobre os mais variados tipos de violência sobre ela e sobre os seus filhos, numa sociedade ocidental, dita civilizada e onde encontra forças para se revoltar e encher de coragem ao ponto de requerer o divórcio após a perda trágica de uma filha num acidente (morre atropelada). A este funeral da sua própria filha foi-lhe negado o seu acompanhamento, tendo ido o pai ao funeral, pois os rendimentos da família dele provinham e ele assim o decretara. Uma mulher de coragem, que luta pela sua sobrevivência e pela dos seus filhos que vê negligenciados pelo pai, querendo o mesmo os filhos apenas pelos subsídios, principalmente quando este casa pela segunda vez e a sua segunda mulher os maltrata.

Khady encontra muitos apoios ao longo da sua vida de sofrimento e solidão. Estes apoios dão-lhe o necessário, seja a nível de trabalho como tradutora ( as mulheres africanas  nem a língua francesa falavam, a Khady, como tinha pais mais liberais, foi-lhe permitido estudar), seja a nível de serviços sociais que lhe vão dando economicamente alguma independência. Mas quando o marido descobre os seus rendimentos, perpetua os mais variados tipos de violência verbal e fisica, por forma a demovê-la dos seus intentos, humilhando-a perante a sua própria familia, que chega a duvidar da sua integridade fisica e moral.

Fazendo sempre frente a um marido, sofrendo os horrores de cesarianas seguidas, sendo a primeira aos 16 anos de idade, mãe de 4 filhos (hoje de 3, perde a filha mais velha), diz-nos o que é o horror de não poder ter partos naturais devido à excisão, descreve com rigor os sentimentos que carrega ao longo da sua vida de casada por ser obrigada a manter relações sexuais dolorosas com alguém a quem não amava. Chegamos mesmo a ter a noção de violação perpetuada, ao abrigo de um casamento que em nada era legal, pela sociedade ocidental, onde vivia. Era um casamento meramente de acordos verbais, como é, aliás, apanágio do islamismo. Depois de muito tormento, conseguiu o divórcio (relembro que no islão às mulheres não lhes é permitido o divórcio, ao marido basta decretá-lo, mesmo sem as avisar).

Luta, hoje, contra esta barbaridade, que nem a própria religião muçulmana professa ou explica.

Khady vive hoje em dia na Bélgica com os seus 3 filhos e é presidente da Rede Europeia de Luta contra a Mutilação Genital.

 

Admiro esta obra pela da história de vida que conta e pelas temáticas dos problemas – base do livro. Aprendi muito sobre a excisão e os inúmeros absurdos ligados a isto, em particular, quais os motivos que fazem com que as meninas sejam mutiladas. A excisão não está ligada à religião mas  há muitas  que a praticam. A religião é usada apenas como desculpa para o homem continuar a impor o seu poder, controlando a sexualidade das mulheres. A mutilação causa danos físicos e psicológicos, dores horripilantes e até mesmo mortes e envolve instrumentos absolutamente inapropriados para a excisão.

Algumas culturas crêem que os órgãos genitais femininos são diabólicos e têm de ser purificadas, deste modo também apenas os homens têm o direito de desfrutar o prazer sexual. Práticas como estas e como os casamentos forçados, agressões físicas, rebaixando a mulher e todos os seus direitos, devem ser condenados! Ninguém merece passar pelo que esta mulher e tantas outras passaram.  Se nada for feito, esta prática terá continuidade, sempre em segredo.

 

 

 

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Wednesday, December 31, 2008

À quanto tempo…

Já tinha saudades de fazer um novo post! Desde as férias do Verão que não venho ao blog, foi um desleixo autêntico! “Prometo” que foi a última vez que passo tanto tempo sem escrever nada de nada, até parece que me sentia diferente (com remorsos) de passar tanto tempo sem vir visitar o blog, ao jantar lembrei-me que como hoje é o último dia do ano ficava “giro” se escrevesse hoje! Vou fazer outro post com dois jogos para a Playstation 3 que estou a adorar apesar de um deles eu só ter para o PC e um demo para a PS3 (mas ainda não vai ser hoje).

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Saturday, September 6, 2008

Jogos Paralímpicos - Pequim 2008

Para além dos limites, para além das dificuldades, eles representam o verdadeiro espírito Olímpico!

                                                            

A 13ª edição dos Jogos Paralímpicos de Verão realiza-se de 6 a 17 de Setembro em Pequim, a cidade que acolheu os Jogos Olímpicos.
Os Paralímpicos são os Jogos Olímpicos exclusivos para atletas com deficiências e realizam-se desde 1960, ano da primeira edição, em Roma.
A edição deste ano, tem o mesmo mote dos Jogos Olímpicos: One World, One Dream, e esperam-se cerca de 4 mil atletas de 140 países.
Portugal é representado por 35 atletas nestes Paralímpicos, onde estão em prova 20 modalidades.

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Red Bull Air Race

Milhares de pessoas são esperadas a partir de hoje nas margens ribeirinhas do Porto e Gaia para assistir ao Red Bull Air Race, que termina domingo.

       

                                            
                                  Hoje decorrem as qualificações, domingo é dia de prova

                                         


 

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Wednesday, September 3, 2008

Johnny Depp regressa aos palcos… com antiga banda rock

Segunda reunião em homenagem à manager dos Kids nos anos 80.

Johnny Depp voltou a reunir os Kids em dois concertos de homenagem à manager da banda, Sheila Witkin, falecida em 2006.

A reunião deste fim-de-semana em Pompano Beach, na Florida, marca o segundo regresso aos palcos do actor com a antiga banda rock de liceu depois de, no ano passado, terem assinalado o primeiro ano da morte de Witkin.

The Kids nos anos 80

Fundada por um grupo de amigos de 17 anos, a banda rock com Johnny Depp na guitarra chegou a abrir concertos de Talking Heads, Iggy Pop,The Pretenders e Ramones.  

Numa recente entrevista à Rolling Stones, Depp revelou que a música foi o “primeiro amor” da sua vida. “Pego numa guitarra e o espaço altera-se”, confessou. 

Na homenagem a Sheila Witkin, os Kids tocaram alguns temas do repertório da banda, além de versões como  ”Be My Baby”, das Ronettes, em que Depp partilhou o microfone com o melhor amigo de infância e filho da manager, o vocalista da banda Bruce Witkin.

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Tuesday, September 2, 2008

O fim do sossego!

Depois de ter ido passar duas semanas de férias com uns amigos, tive de ir com os meus pais. Acho que este ano passei as melhores férias da minha vida até agora. Aconselho vivemente a passarem um tempinho de férias com os amigos (como já enunciei num outro post). Com estas férias fiz novos amigos, conheci várias pessoas que vão ficar sempre no coração e na memória.
        
Mudando de assunto, as aulas estão quase quase a começas. Vem aí a escola “nova”, amigos novos, dinheiro para gastar, uma nova rotina para me adaptar… Muitas coisas novas!
O sossego está a chegar ao fim!
Vem aí!

                        

                     

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Friday, August 15, 2008

“Queimada viva”

Acabei à pouco de ler um livro que adorei! “Queimada viva”!
Aconselho vivemente a lerem o testemunho vivo de Souad…
Deixo o resumo do melhor livro que li até hoje. “Quando o amor antes do casamento é sinónimo de morte.”

“Souad tinha dezassete anos e estava apaixonada. Na sua aldeia da Cisjordânia, como em tantas outras, o amor antes do casamento era sinónimo de morte. Tendo ficado grávida, um cunhado é encarregado de executar a sentença: regá-la com gasolina e chegar-lhe fogo. Terrivelmente queimada, Souad sobrevive por milagre. No hospital, para onde a levam e onde se recusam a tratá-la, a própria mãe tenta assassiná-la.

Hoje, muitos anos depois, Souad decide falar em nome das mulheres que, por motivos idênticos aos seus, ainda arriscam a vida. Para o fazer, para contar ao mundo a barbaridade desta prática, ela corre diariamente sérios perigos, uma vez que o “atentado” à honra da sua família é um “crime” que ainda não prescreveu.

Um testemunho comovente e aterrador, mas também um apelo contra o silêncio que cobre o sofrimento e a morte de milhares de mulheres.”

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Wednesday, August 13, 2008

Google

Desde que começaram os Jogos Olímpicos parece que o Google todos os dias coloca uma nova imagem no seu logo. Está engraçado, é uma ideia original para apoiar os Jogos de todos os países!
Por exemplo hoje é uma macaquinho empoleirado, ontem foi um hipopatamo com umas fitas, a simbolizar a ginástica artistica!
Deixo-vos com o logo do Google de hoje!  =D

Jogos Olimpicos Pequim 2008

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Friday, August 8, 2008

Que comessem os Jogos!

               08/08/08

Um dia singular que marca o inicio dos Jogos Olímpicos de Pequim.
Só me resta desejar a melhor das sortes aos atletas portugueses! E que tragam medalhas!  :D
O Google celebra a data com um logo bastante interessante!

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Blitz

Para quem gostar de música e de saber as novidades sobre os cantores e os festivais de Verão, aconselho vivemente a lerem a revista “Blitz” ou então visitem o site http://blitz.aeiou.pt/ que ficam a saber de tudo, mas mesmo de tudo, em primeira mão.

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